A Polícia Civil cumpriu ontem um mandado de busca e apreensão no escritório de um advogado em Foz do Iguaçu. A ação faz parte da segunda fase da Operação Jasmin, que investiga um esquema de desvio de R$ 2,5 milhões em verbas públicas que seriam destinadas à aquisição de medicamentos para o tratamento de câncer de uma criança, de 11 anos, em Cascavel.
Além de Foz do Iguaçu, as ordens judiciais foram cumpridas em Santo Antônio do Sudoeste e Curitiba, no Paraná, e nas cidades de Maricá e Rio de Janeiro, no Estado do Rio de Janeiro. A polícia estima que pelo menos 20 pessoas fazem parte da fraude contra o patrimônio público.
A delegada Thais Zanatta, do 1º Distrito de Cascavel, explicou que a participação de Bandeira se comprovou pela quebra de seu sigilo bancário, onde ficou confirmado o desvio de R$ 50 mil. O escritório do advogado representava a família da paciente, que precisava da medicação que custa cerca de R$ 2,5 e não é oferecida pelo SUS.
A polícia apreendeu o telefone celular do suspeito e outros dispositivos eletrônicos dos investigados. Os aparelhos passarão por perícia para extração de dados a fim de complementar as provas já reunidas na investigação.
Durante o cumprimento das ordens judiciais em Santo Antônio do Sudoeste, uma mulher foi presa em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. Os dois filhos do advogado acusado também são suspeitos de envolvimento no caso.
Em julho do ano passado a PCPR prendeu três homens suspeitos de desviarem os recursos. O esquema tinha sido revelado um mês antes após um processo de compra conduzido pela família, sob supervisão do Poder Judiciário, resultou em um medicamento não entregue. Depois da denúncia, além da investigação policial, a Procuradoria-Geral do Estado e a Secretaria de Estado da Saúde conseguiram articular a entrega do remédio para a criança.