A Ponte da Amizade completa nesta quinta-feira (27), 60 anos de idade. Com 552 metros de extensão e 13,5 metros de largura, a ponte foi inaugurada oficialmente em 27 de março de 1965, durante uma cerimônia que contou com a presença dos presidentes Castelo Branco, do Brasil, e Alfredo Stroessner, do Paraguai. O acordo para a construção da obra foi assinado no dia 29 de maio de 1956 pelos dois governos.

O projeto foi liderado pelo engenheiro Almyr França e levou nove anos para ser concluído. Durante a obra, mais de mil operários trabalharam no canteiro de construção. Muitos destes trabalhadores permaneceram na região após a finalização da obra. À época, com 290 metros, a obra estabeleceu um recorde mundial de maior vão livre nesse tipo de estrutura.
A inauguração da obra mudou a história da tríplice fronteira. Para Foz do Iguaçu representou o surgimento de um forte comércio de exportação. Para o Paraguai, significou o nascimento da cidade de Puerto Stroessner, hoje Ciudad del Este, o segundo maior centro urbano daquele país. O nome “Ponte da Amizade” reflete o espírito de cooperação que a obra representou, simbolizando a amizade e o respeito mútuo entre as nações.
Atualmente, passam diariamente pela Ponte da Amizade cerca de 120 mil pessoas, com tráfego estimado de cerca de 60 mil veículos, além de cerca de 20 mil pessoas que cruzam a fronteira a pé. Os números destacam que a ponte é um dos principais corredores comerciais entre Brasil e Paraguai e da América Latina.

Objetivo da obra
A construção ocorreu durante os anos 1960, como parte de um esforço conjunto entre Brasil e Paraguai para melhorar a infraestrutura de transporte entre os dois países. Antes de sua construção, a travessia do Rio Paraná era feita por balsas, um processo lento e limitado.
De acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura – DNIT, a ponte foi construída estrategicamente pensando em um risco de guerra na América do Sul. Inicialmente a ideia não era que fosse construída apenas uma ponte, mas que fosse uma rodovia de ligação dos países da América Latina.

Neste contexto a questão econômica já despontava como foco principal num momento importante da história brasileira: o Brasil queria ampliar seu comércio, em especial, com o Paraguai, Bolívia, Peru e a Argentina. Assim, construção da ponte foi um marco importante para a integração econômica da América do Sul, facilitando comércio entre o Brasil e o Paraguai, além de fortalecer os laços culturais e sociais entre as populações de ambos os lados da fronteira.
Toda a estrutura do local e seu formato em forma de arco foram intencionais. Para que a navegação não fosse prejudicada, foi feito um vão livre sustentado por um gigantesco arco de concreto. Registros revelam que a armação de ferro veio de Volta Redonda, da Companhia Siderúrgica Nacional.

Antes de trazer a estrutura para Foz, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) montou um modelo feita em aço carbono com 157,3 metros de comprimento e peso de 1.200 toneladas para testar o arco da futura ponte. Depois da estrutura testada, ela foi desmontada e transportada em caminhões especiais para o canteiro de obras da Ponte, ao longo de 1.700 km de estradas, quando ainda não havia a BR-277. Ao longo do caminho, a peça não passava em muito trechos, obrigando a alteração rápida de muitos pontos das estradas, além do reforço emergencial de várias pontes.

Foram utilizados 21 mil quilos de cimento ou 350 mil sacos de cimento de 60 kg cada; 7 mil metros cúbicos de madeira, 2.300 toneladas de ferro; 130 toneladas de parafusos; 44 mil metros cúbicos de concreto; 1314 toneladas de aço e 80 toneladas de cabo de aço.

Importância Econômica da Ponte da Amizade
A Ponte da Amizade desempenha um papel vital na economia regional. É um dos principais corredores comerciais da América do Sul, onde passa uma grande quantidade de mercadorias diariamente. Produtos manufaturados, alimentos, eletrônicos e veículos são alguns dos itens que cruzam a fronteira por meio da ponte.
Foz do Iguaçu e Ciudad del Este formam uma das mais movimentadas zonas de comércio da região. Ciudad del Este é conhecida por seus inúmeros centros comerciais e lojas que atraem milhares de turistas e compradores todos os dias, em busca de produtos a preços competitivos.
A Ponte da Amizade facilita esse fluxo constante de pessoas e mercadorias, sendo crucial para o dinamismo econômico das cidades fronteiriças. Além do comércio, a ponte também é um ponto de passagem essencial para turistas que desejam explorar as atrações de ambos os países. Muitos visitantes aproveitam a proximidade para fazer compras em Ciudad del Este ou visitar locais históricos e culturais no Paraguai.
Turismo
Além do eixo econômico, a ponte também é um marco para o turismo da fronteira. Com uma estrutura em vão livre, que chama a atenção, a ponte também proporciona uma vista panorâmica do Rio Paraná e das cidades da fronteira, além de facilitar a visitação das Cataratas do Iguaçu, Itaipu Binacional e Puerto Iguazú, na Argentina, já que não há ligação entre Paraguai e Argentina na tríplice fronteira.
Momento emblemático
Ao longo da sua história, a Ponte da Amizade foi palco de manifestações e protestos, tanto de brasileiros, como de paraguaios, que marcara a sua história. Além de registrar momentos inusitados, principalmente com o contrabando e descaminho, realizado por meio de rapel, ou quando um caminhoneiro abandonou o caminhão no meio da ponte e fugiu com o cavalinho para escapar da fiscalização da Receita Federal.
Porém, entre os momentos mais emblemáticos, está fechamento durante a pandemia de Covid-19. Em 2020, a travessia ficou impedida por um período de 7 meses, fechando em março daquele ano e só sendo reaberta em 15 de outubro. A reabertura foi possível após um acordo de reciprocidade entre os governos do Brasil e Paraguai, permitindo a entrada de estrangeiros em cidades gêmeas de fronteira.
Homenagem aos 60 anos
Para celebrar as seis décadas da Ponte da Amizade, um mural comemorativo está sendo pintado na entrada do lado brasileiro. Com 117 metros de extensão, a obra do artista Igor Izy retrata elementos icônicos da região, como as onças-pintadas do Parque Nacional do Iguaçu, as Cataratas e a Usina de Itaipu. A iniciativa é coordenada pela Secretaria Municipal de Turismo, Receita Federal e Projeto Onças do Iguaçu, com apoio de entidades locais.
O futuro da Ponte da Amizade
Apesar de sua importância, a ponte enfrenta desafios decorrentes do aumento do fluxo de veículos e da necessidade de modernização. Com isso, a construção da Ponte da Integração, ligando Foz do Iguaçu a Presidente Franco (Paraguai), surge como alternativa para desafogar o tráfego da Ponte da Amizade.
Seja como elo econômico, histórico ou cultural, a Ponte Internacional da Amizade segue firme como um dos símbolos mais marcantes da relação entre Brasil e Paraguai, refletindo a identidade e o dinamismo da Tríplice Fronteira.